Artigos

A Formação em Psicanálise


Conceição Beltrão Fleig
Psicanalista
Escola de Estudos Psicanalíticos
Association Lacanienne Internationale

  

            O tema é extenso, tendo, na verdade, a idade da própria psicanálise. Como se dá a formação de um psicanalista? Eis a questão que se apresenta desde os primórdios e, mais precisamente, a partir de 1906, quando Freud funda, com alguns outros, com alguns poucos, a “Sociedade das Quartas-Feiras”. Reuniam-se em Viena, às quartas-feiras, como o nome já o diz, na sala de espera do consultório de Freud, 19 Bergasse. As atas foram redigidas por Otto Rank, encontrando-se publicadas. Deste núcleo tem origem a “Sociedade Psicanalítica de Viena”.

            Com o intuito de historiar brevemente a questão, vemos que Freud iniciou no campo da neurologia, cuja cátedra recém fora criada por Charcot. Acompanhou, em Paris, o trabalho do renomado neurologista, tanto nas visitas à enfermaria do Hospital Pitié Salpetrière, como na apresentação de pacientes no anfiteatro. Freud mostrava-se interessado no estudo das localizações cerebrais, mas o que encontrou são os casos de histeria que o interessaram e levaram-no a formular questões. Aquilo que o intrigava não estava apenas nas observações de seu trabalho formal, mas, sobremaneira, naquilo que ouvia nas conversas informais. Em um destes momentos, ouviu Charcot dizer que a etiologia da moléstia psíquica de suas pacientes encontrava-se no coito interrompido, portanto, sexual, mas Charcot nunca registrou tal afirmação. Ainda se recuava diante do sexual, como Itard o fizera um século antes com o menino de Aveyron – diante da academia, havia que recuar em relação ao sexual.

Frequentando a fineza desses vieses, Freud encaminhou-se para a construção do que veio a nomear de psicanálise. No caso das histéricas, forjou a analogia entre o corpo e a roupa que o cobre, ou seja, que uma histérica não tem o corpo da fisiologia; a histérica tem o corpo do alfaiate, porque, de forma exemplar, a dor ou a paralisia terminam na altura da manga, onde o tecido é cortado, no corte e na costura que unirá o corpo à manga da roupa – costurar o corpo à cava, como é dito. Nada correspondente às terminações nervosas, à fisiologia do corpo humano. As pacientes falavam e sentiam um corpo de alfaiate, ou de costureira (ofício frequente nas mulheres da época), que não era o corpo anatômico, logo, a anatomia das costureiras.

            De que momento histórico estamos falando? Precisamente, da época em que as feiticeiras haviam deixado de existir. Falamos da separação do estado e da igreja. A ciência concomitante e formalmente se desatrela da fé obscurantista dos inquisidores. Não de todo, certamente. Em sua referência à cultura francesa, aliás, paradigmática, em tal período, Freud pensava o corpo a partir da invenção que ainda viria a nomear.

            Banhado no discurso de sua época, Freud dedicou-se ao que Lacan denomina de “os mordidos pelo inconsciente”. Quem são os mordidos pelo inconsciente? Inicialmente, são as histéricas, e Freud localiza na paralisia de Elizabeth Von R., na tosse de Dora, o corpo histérico mordido, o corpo dos sintomas. Em 1909, localiza outro mordido pelo inconsciente, o menino Hans, cuja fobia, cuja mordida pegava-o no movimento, em sua inibição. Por esse período, Freud encontrou um terceiro mordido pelo inconsciente, o Homem dos Ratos, aquele jovem advogado, jovem militar morto nas trincheiras da Primeira Grande Guerra, cuja mordida o atingira nos pensamentos; a tortura de pensamentos, cuja psicopatologia se constitui no quadro da neurose obsessiva, isolado por Freud. Em tais casos, encontra-se o que será desenvolvido em Inibição, sintoma e angústia, pelos anos 1920. Entretanto, por volta de 1910, as psicopatologias psicanalíticas estavam determinadas assim como um outro corpo que não o do estímulo-resposta, ou seja, que entre o estímulo e a resposta tem outro corpo, o corpo da fala, um corpo falado. Vejam, o corpo do alfaiate é um corpo falado, então, esse corpo falado pelos tegumentos do corpo a partir do orgânico trata-se de um corpo fadado ao significante.

            Em sua arte cotidiana, aliada ao compromisso íntimo de fazer uma descoberta genial, aliás, como todo bom vienense da época e de cultura judaica, ele tinha o compromisso de inventar algo. Todos tinham o compromisso íntimo, em uma Viena efervescente, e Freud, filho do mundo germânico, buscava uma “solução” (Lösung) para sua clínica como neurologista. O termo apresenta-se em vários momentos de sua obra e levanta questões controversas no tocante à posição do analista.

Alguns trabalhos de Freud não são muito visitados atualmente, mas, por uns 10 anos, ele foi chefe de um serviço de neurologia infantil, assim como pouco se fala dos atendimentos em um hospital psiquiátrico no qual trabalhava e atendia, por exemplo, um membro da realeza austríaca, aparentado de Napoleão Bonaparte. São curiosidades, mas era o mundo de sua época, e vejam, ele não fala nessas experiências nem de seu dia a dia, tanto que estava voltado para sua descoberta do inconsciente, cujo objeto não dizia do mundo da realidade cotidiana, mas outra realidade. São seus biógrafos ou nós, curiosos, que buscamos, em seus pertences, em suas cartas e em seus contemporâneos os vestígios de sua vida mundana e cotidiana. Buscamos fatos, pequenos pecados, encontramos rastros, como de alguma histérica que se internara espontaneamente em algum reputado ambiente de cura, então ele ia ao sanatório, ou de outra, que encontrara na montanha, logo, se diz, em férias. O que temos? O que procuramos na vida do homem Freud? Acharemos muito pouco em sua vida burguesa ciosamente cuidada, um dia a dia normal, passado entre as paredes de seu consultório. E de seus pacientes? Muitos já escreveram e pouco ou quase nada temos de maior interesse de cunho puramente bibliográfico. Entretanto, quando buscamos pelo lado da mordida, encontramos que a girafa de Hans tem muito a dizer, visto que Graf, o sobrenome paterno de Herbert, e Girafe, são homofônicos. Ou, então, que O homem dos lobos, dizia em alemão espe (éspe - vespa), ao invés de wespe (véspe) e que espe é homofônico de suas iniciais SP, Sergei Pankow, encontramo-nos em outra camada de leitura, justamente aquela a qual Freud nos conduz e que Lacan nos propõe como seu retorno a Freud, a instância da letra no inconsciente.

Com a fundação da Sociedade das Quartas-Feiras, rompe-se o isolamento no qual Freud se encontrava. Até então, privara suas descobertas com Fliess e partilhara com Breuer o caso de Anna O, mas os que agora se aproximavam vinham em busca do que encontraram em A interpretação dos sonhos. Impunha-se uma dupla tarefa, a da formação e a da transmissão, na construção do campo que Freud almejava incluir no da ciência, o que era absolutamente rejeitado, e, inclusive, chamado por Meynert, eminente neurologista vienense, de “um conto de fadas científico”. A adesão dos suíços, representada pela figura de Jung, propôs limitar o campo das discussões ao meio médico, mais exatamente psiquiátrico, reformulando, também, o texto de A interpretação dos sonhos, para dar conta de tal intuito. Freud buscou o estatuto científico, mas não abriu mão de levar suas descobertas ao grande público. A própria formação passou por discussão semelhante. Quando, inicialmente, Freud pensou a formação, propôs que, se alguém quisesse ser analista, que empreendesse uma análise pessoal, a sua própria (condição incontornável para tornar-se analista), e lesse o livro A interpretação dos sonhos. Acrescentou-se, posteriormente, na própria Sociedade Psicanalítica de Viena, um terceiro passo: a análise de controle, ou seja, examinar com um analista mais experiente suas conduções de análise, os impasses advindos na própria prática, quer dizer, as resistências e pontos cegos no caso do próprio analista, como formações de seu inconsciente. Apresentamos, aí, os elementos mínimos de uma formação, que perduram até nossos dias.

O campo conceitual psicanalítico é desenvolvido e fundamentado no particular. Pode-se tender a considerá-lo como mais um dos campos dos saberes, e o conhecimento da teoria ser suficiente – tomada em seu cunho universal. Assim sendo, a descoberta freudiana fica alijada.  O livro sobre os sonhos discorre sobre o particular, sendo mesmo considerado intraduzível por seu autor. A própria formação se dá no particular, iniciando pela própria análise do aspirante a psicanalista. O particular, no caso, é o sexual em cada um.

Ser mais um campo do saber, será que é a isto que se chegou nos quase 125 anos? Será que a psicanálise constituiu-se um campo do saber? Tendo em vista a história do movimento psicanalítico, pode-se dizer que não. Por quê? Porque os avanços em termos psicanalíticos ocorrem pelos fragmentos, na impossível existência de um padrão, na inexistência de, pelo menos, dois fantasmas semelhantes. Eis o mínimo a ser dito e exemplificado na formação que se dá pela transmissão, pela abertura de sulcos que deixam seus rastros.

            A psicanálise é ciência? Eis outro ponto polêmico. A psicanálise não é uma ciência positiva, não é juridicamente considerada, não faz parte de nenhum dispositivo estatal, não é ilegal, mas, também, não entra em um sistema legalista, não possui uma ordem ou um conselho de classe.

 Lacan, em “Poesia e Verdade”, postula a psicanálise como uma arte liberal, no sentido medieval, “pela relação interna que nunca se esgota”.  Dentre as artes liberais no medievo, estavam a astronomia, a dialética, a aritmética, a música e a gramática.

 

A arte tem uma relação interna consigo própria que não se esgota, e que não se fecha num conceito. Ela não é passível de ser fechada num conceito. A psicanálise entra no campo de uma arte liberal, na medida em que há relação do homem consigo próprio. Do homem consigo próprio porque a linguagem é inesgotável, a fala é inesgotável. A relação do homem consigo próprio nunca se esgota. Portanto, se podemos definir a psicanálise, ela é uma prática...

 

Temos, aí, o primeiro princípio de uma formação psicanalítica, e essa prática da fala incidirá de saída na análise

            Em uma psicanálise, implicitamente, naquilo que diz, o analisante convida o analista a ser seu par em seus pensamentos inconscientes, no desejo. Se alguém se aventura a dizer-se psicanalista sem ter feito uma análise pessoal, aí não há analista, visto não ter frequentado o espaço que lhe propiciaria o atravessamento de pontos sustentados por seu fantasma, de haver-se com a castração, com o desmantelamento mínimo dos vieses imaginários que sustentam sua economia psíquica, com o esvaziamento do lugar Outro. Tal passagem é condição sine qua non para habitar a poltrona na cabeceira do divã, por lhe possibilitar abster-se de agir levado por esse convite, de responder a tal convite, abster-se de formar um par, abster-se de corresponder. O psicanalista se dá ao sustentar a abstinência proposta por Freud, cuja resultante é a não formação de um par com seu analisante, sustentada pelas próprias conquistas, pelas descobertas feitas na própria análise. E quais podem ser as conquistas em uma análise? Será deparar-se com a própria resistência ao inconsciente? O conceito de resistência é nuclear na teoria psicanalítica e inseparável do conceito de transferência – assim nomeada a relação que o analisante busca formar com o psicanalista, buscando, ali, realizar seu fantasma ao ser tomado como objeto.

            A sessão de psicanálise é o lugar onde o analisante apresenta suas identificações simbólicas e imaginárias que tendem a se dissipar e o analista autoriza essa distância entre a identificação e o desejo, ao ocupar uma posição diferenciada da do cotidiano, ao desconsiderar hábitos, normas, regras do senso comum e da boa educação. Freud, por exemplo, relata, em uma das cartas para Fliess, que subvertera uma norma de sua época, ao cobrar honorários da esposa de um médico, de uma Frau Doctor, como eram chamadas. A senhora, ofendida, reclamara que, entre médicos vienenses, não se cobrava nem do colega nem de seus familiares: “Se eu optar pela gentileza eu não vou lhe curar”, escreveu Freud. O campo da psicanálise é permeado de subversões do imaginário social, exemplar a já referida situação, mas, também, se dá a subversão das palavras que perdem a fixidez de um único sentido e passam a significantes, pela “forçagem” e pelo corte que rompe palavras e atalha com letras, pela leitura do literal que adianta o implícito. Nessa arte, os hábitos e as normas que comparecem na fala são lidos a partir de várias camadas do discurso, rompendo com o óbvio. Existiria um óbvio possível em uma análise? Não, não existe um óbvio, o significante é sempre novo e outro.  

O questionamento radical das identificações que se dá em uma análise leva em conta a particularidade clínica de cada analisante. O trabalho do analista e sua consequente ética se refere à consideração a essa particularidade, à sustentação da permanente abertura. A manutenção da abertura para o inconsciente é o trabalho do psicanalista, uma vez que a interpretação bem-sucedida produz outro pensamento, que abre caminho.

            Para uma formação analítica, são necessários alguns sacrifícios. Qual o principal sacrifício? O da paixão que temos pelo nosso gozo, pela cena do fantasma. Abrir mão desta paixão é o sacrifício inicial que se faz, que se começa a fazer em prol de uma formação ao iniciar uma análise, ao nos submetermos ao processo que nos levará ao desprendimento de uma ilusão de consistência, de garantias.

Um processo de análise não se constitui em algo libertário, mas, que, ali, se produza um além, ou seja, a própria exceção na civilização onde vive, e não um padrão. Não existe cura padrão, não existe tratamento padrão, não existe anamnese possível. Não há nenhum desses elementos padrões, não existem protocolos possíveis de serem preenchidos, não existe duração padrão de tratamento e nem duração padrão de uma sessão. E, não sendo um protocolo técnico, a experiência de análise tem apenas uma regularidade, a da originalidade do roteiro que cada um traz. Ocorre-me a lembrança daqueles mapas utilizados em viagens e que vêm dobrados, e que se abre, jamais conseguindo redobrá-lo da forma como nos chegara. Uma análise tem aí suas semelhanças com os mapas, abrindo uma dobra, outra, vai-se encontrando a localizações, as bifurcações, os pontos de onde partem vários caminhos; eis aí um processo de análise. Entretanto, se fosse apenas isto, seria infinito em seus desdobramentos do roteiro no qual o analisante está fixado em sua vida, mas no próprio desdobramento que se dá sob a égide da resistência/transferência apresenta-se a singularidade na presença/ausência do analista como substituto.

Na posição de substituto, localizada por Freud desde os casos iniciais, ainda na passagem da hipnose para a cura pela palavra, o psicanalista empresta seu corpo, portanto, simbólico, para a introdução do terceiro – que constitui as referências simbólicas e imaginárias de cada analisante. O material da fala do analisante, dos sonhos, por exemplo, é a resultante dos restos diurnos, ou seja, da composição das impressões indiferentes com as conexões associativas de vivências psiquicamente significativas. São nos fragmentos e rastros do cotidiano que a cadeia significante comparece, nas histórias, nas intrigas, ao falar neste ou naquele, ao reclamar, enfim, tecer, em seu discurso, o indiferente, o sem importância, o detalhe que compõe a livre associação.

O conhecido “diga tudo o que lhe vem à cabeça” refere-se à livre associação, mas muito mais do que isto, refere-se ao pensamento súbito que interrompe a cadeia associativa. Logo, se a livre associação leva de um significante a outro, podendo ser infinita, o pensamento súbito corta, surpreende. Ao analista, Freud propõe a atenção flutuante, ou seja, que não se prenda a um elemento em particular para que a leitura do que está sendo dito possa ser feita, ao embrenhar-se em ler o implícito não sucumbindo à sedução do explícito, da curiosidade ou do “furor curandis”.

O explícito é fruto da resistência sob a forma de sedução para que a análise não se dê. Ao mesmo tempo, é no explícito que se desdobram as figuras do fantasma. É nesse implícito, na maior liberdade que essa pessoa tenha para poder falar, associar, falar aquele pensamento que se atravessou de repente, e que não tem nada a ver com nada, ou, então, falar alguma coisa que pensou até a respeito do analista. É nessa maior responsabilidade do dito, de poder experimentar os equívocos da fala e as dificuldades da fala, do silêncio, que aí se dá uma análise.

A regra da abstinência diz da abstinência ao gozo que o analista possa vir a ter ao ser capturado em seu fantasma pela aliança transferencial. É a abstinência da busca de um resultado, de uma solução, da espera, seja ela qual for. Assim sendo, uma análise, assim como seu elemento mínimo, uma sessão, jamais são previsíveis, nem em seu desdobramento nem em seu tempo. Uma sessão, conforme propõe Lacan, tem três tempos: o instante de ver (o clarão de um corpo que cai), o momento de concluir (corte), o tempo de compreender (posterior ao encerramento da sessão).

Até o momento, discorremos sobre a análise empreendida por aquele que postula vir a ser psicanalista e toda a história do movimento psicanalítico demonstra que a formação, assim como uma análise, é terminável e interminável, sendo ilusória e imaginária a ostentação de um título adquirido. A sustentação da posição de psicanalista implica a posição de analisante, implica a prática, implica analisantes e pares dentro de uma instituição, os quais reconheçam a qualidade analítica do discurso e testemunhem “a experiência do silêncio e da vacuidade do Outro, podendo aí estar só” (Melman, em Psychopolis) tanto em seu trabalho de transmissão da Psicanálise na instituição como na menção das suas conduções de cura. Porque um analista não é analista sempre, ele o é, em sua expressão maior, no momento em que o discurso no analisante enlaça resistência e transferência – ali está como representação.

O que temos como formação do psicanalista não corresponde a uma formação universitária nem a um exame de ordem profissional, não tem conselhos ou sindicatos, nem títulos advindos pelo tempo de prática ou avanço nos estudos. Não há diploma, não há, doravante, um estado permanente. Resta tão somente a análise pessoal, até o ponto último de atravessamento do fantasma, os seminários de formação teórica no qual não se busca instaurar a posição de professor e aluno, o terceiro ponto, a transmissão da prática pela análise de controle, ou seja, submeter a um dos pares os impasses na própria clínica e os pontos cegos cujo gozo interrompe a leitura do inconsciente do analisante. Esses pontos cegos, que constituem os restos inanalisáveis, o resíduo não analisável deixado por toda análise, o umbigo do sonho, conforme Freud e seu além da rocha viva da castração. Este, todavia, foi passo adiante dado por Lacan. Pontos que tomam vida e corpo quando se trabalha na poltrona, na cabeceira do divã.

Conforme já referido, a posição do analista reside nesta abertura, na sustentação da abertura, não obstante, para advir psicanalista é preciso dar um passo, o passo que representa o próprio testemunho dos impasses de cada um na civilização, ou seja, para dar um passo, nós precisamos atravessar os nossos impasses, atravessar a nossa paixão pela nossa própria novela, pela própria psicopatologia.

E como se dirige uma análise? Deixando-se levar pelo real. A partir do estilo daquele analista, a psicanálise é recriada a cada sessão. E até que ponto vai uma análise? Até a dissolução da transferência postulada por Lacan em seus seminários borromeanos, nas voltas e giros do discurso.

Apenas mais um ponto lançado por Freud: que o psicanalista precisa ser culto, tanto no sentido do “italiano culto”, a quem endereça o ato falho durante a viagem de trem e conhecido pelo nome de Signorelli, constituindo-se na psicanálise em intenção, aquela do consultório, como pelo lado da psicanálise em extensão, ou seja, do diálogo permanente com a cultura no que se refere às formações psicopatológicas de seu tempo contemporâneo.

 

Transcrição: Vânia A. Patussi

Revisão: Gerusa Bondan

Esta Conferência foi proferida em 06/12/2014, na II Jornada do Movimento Psicanalítico de Chapecó – “Leituras do Desejo”.

 


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