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O fantasma, a demanda e o desejo


O fantasma, a demanda e o desejo
 
Návia T. Pattussi
Psicanalista
 
 
    Esse estudo é decorrente de interrogações que me foram postas a partir do estudo do Seminário VI de Lacan, “O Desejo e sua Interpretação” relacionadas à prática clínica com meus analisantes. Especialmente pretendo nortear-me pela seguinte questão: como diferenciar e detectar no atendimento clínico o que é da ordem da demanda, do desejo e o fantasma? Inicialmente farei uma diferenciação entre necessidade, demanda e desejo ao mesmo tempo em que, esboçarei o meu entendimento do que Lacan fala sobre o fantasma nesse Seminário, embora ele desenvolva com maior profundidade esse assunto particularmente no seu Seminário “A lógica do fantasma”.
 
    Para introduzir o assunto vou servir-me do conto de Jacques Cazotte “O Diabo Amoroso”, escrito em 1771, onde o Diabo, personagem central dessa obra, profere a questão para Álvaro que reverbera em toda a trama que é: Che Vuoi? O que queres? Para nos situar quanto ao fato do autor utilizar-se do Diabo para falar de desejos e intenções é mister contextualizar que Cazotte foi um homem do século XVIII, nascido em Dijon, na França. Portanto é rebento do início do Iluminismo que carrega consigo os efeitos das tentavas de domínio do desejo pela igreja, onde somente era permitido o “desejo de Deus”. A realidade era impregnada pelo fanatismo religioso e os desejos foram pecaminizados pela igreja que permitia somente o desejo por Deus.   Na época de Cazotte havia já um movimento no sentido de sobrepor a razão ao fundamentalismo religioso, embora isso ainda estivesse muito presente, haja vista o fato de o autor utilizar a figura do diabo como personagem central. 
 
    O diabo sempre foi visto como o oposto de Deus, e tentaria destruir sua criação através de tentações aos humanos, como o poder, luxúria, honras, satisfação. Enfim, o diabo, seria a promessa da realização dos desejos representando desta forma mais o poder do que o mal. Expressaria os desejos temidos, indesejados, repudiados e ignorados inerentes ao ser humano e conscientizados um século mais tarde através da psicanálise. Essas observações constam na obra de Marcio Peter de Souza Leite “O Deus Odioso O Diabo Amoroso”.   
 
  O personagem principal Álvaro ao confrontar-se com o diabo, o qual queria conhecer, é interpelado por ele através da pergunta: Che vuoi? Que queres? E Álvaro diz inúmeras coisas que gostaria que acontecessem, e o diabo faz com que elas ocorram. E Álvaro, quer mais e mais e mais e nada aplaca sua ânsia de realização ao mesmo tempo em que se perturba cada vez mais com o diabo transformado em pajem, que se revela uma mulher, que lhe seduz e que ele hesita em ceder a todo o custo. Pois o que significaria ceder ao diabo, ou seja, ceder ao seu desejo? A morte de si mesmo. 
Esse conto citado por Lacan no Seminário VI é emblemático do drama humano relativo ao desejo. Como dizia um colega, o desejo é o diabo. Diabo no sentido de ser sempre algo proibido e por isso mesmo tentador, abominável em relação às normas sociais e transgressor.
 
 
DEMANDA E NECESSIDADE
 
    Che vuoi? ou O que queres? Aquele que pergunta já sabe a resposta diz Santo Agostinho em De Magistro, publicação do diálogo entre ele e seu filho Adeodato. Essa, possivelmente, é a primeira interpelação que ouvimos desde que nascemos, proferida pela mãe que atenciosa e apreensiva responde a algum sinal emitido pelo bebê através de seu choro ou agitação. Ao perguntar, ela demanda, isto é, ela quer algo do bebê e transmite isso através da fala. No entanto, as necessidades da criança, que são de ordem biológica, são subvertidas pela linguagem na medida em que passam pelo sistema significante para se fazer reconhecer e são profundamente modificadas por ele.
 
    O que significa isso? Que na medida em que emite sinais de insatisfação ou desconforto ela os está endereçando a um outro, que geralmente num primeiro momento é a mãe. Ocorre, no entanto, que não é simplesmente a uma pessoa que são endereçados esses sinais, mas sim intermediados por um muro de linguagem. A mãe, ao tentar traduzir os sinais da criança, se questionando sobre que ela tem, se é fome, dor ou algo mais, ao mesmo tempo ensina a criança a decifrar o que quer, embora ambos nunca consigam discernir exatamente o que está em jogo. Isso por que as palavras não denotam correspondência entre um nome e uma coisa, mas sim são decorrentes da relação entre o significante e o significado sendo que há uma supremacia do significante. O significado é o conceito e o significante é a imagem acústica do que se ouve quando se fala. Na fala fica clara a supremacia do significante na medida em que o que dizemos pode ter múltiplas significações embora haja todo um regramento gramatical para possibilitar algum tipo de comunicação. Esse é um ponto fundamental para nós que trabalhamos com a escuta psicanalítica e também para compreendermos que a linguagem é condição para a existência e constituição do sujeito.
 
    Salientando e resumindo, existe um sujeito assim como existe o desejo porque todos somos submetidos ao Outro que, por sua vez, num primeiro momento é representado pela linguagem. É por que existe linguagem e somos submetidos a ela, que temos a possibilidade de existência enquanto humanos e não meramente um corpo que é parido. A criança inevitavelmente ao sinalizar suas necessidades entra no mundo da linguagem, uma vez que seus sinais redundam em tentativas de ciframento e deciframento pelo Outro. A necessidade passa pelo crivo da linguagem na busca da satisfação e o que era manifestação corporal vai ganhando nomes até que em algum momento esses nomes vão sedimentando-se no universo da criança criando as bases para que suas demandas sejam transmitidas através da linguagem. 
 
A ORIGEM DO DESEJO
 
    Lacan, através de sua releitura de Freud, coloca que o ser humano é submetido ao desejo e não há como não sê-lo, pois essa é uma condição humana e humanizante. Mais precisamente, o sujeito é submetido ao Outro e existe em função do Outro. A psicanálise chama de Outro tanto o código da linguagem quanto, num primeiro momento da constituição do sujeito, a pessoa que exerce a função materna. A concepção da criança é fruto do desejo dos pais ou de um deles, desejo esse que se faz nomear através da linguagem, sendo que tudo ocorre no universo dos discursos. Na origem, o desejo da criança é desejar o desejo do Outro que a coloca numa condição de satisfazer seu próprio desejo. Sendo assim ela se coloca na posição de ser o falo para o Outro. A psicanálise utiliza-se deste termo para nominar tudo o que tem valor para um sujeito.
 
    Lacan coloca que “... o sujeito é dependente, dominado por esse Outro, a mãe, que é o sujeito primordial da demanda... É nessa relação com o O e no O, que se constitui a subjetividade.” A demanda seria tudo o que o sujeito pede ou direciona ao outro através da linguagem e é de ordem consciente. A libertação da criança dessa condição de total dependência da demanda materna é possível na medida em que entra um terceiro elemento que faz com que a criança se interrogue até que ponto ela é mesmo o falo para sua mãe, uma vez que essa também tem outros interesses. É somente a partir do momento em que ela suporta reconhecer que não é tudo para sua mãe, mas que fica em busca de onde está ou quem tem o falo que é o alvo do desejo do Outro, que é possível desejar algo e subtrair-se um pouco da condição de objeto da demanda materna. Na verdade, desejar o desejo do Outro é uma questão que se mantém e está na raiz do desejo do sujeito que sai pelo mundo afora tentando realizar algo que ele não sabe o que é e tampouco de que forma irá buscá-lo Por isso se diz que o objeto do desejo é desconhecido, não é objetivável como o é o objeto da necessidade. Há tentativa de objetivar esse objeto através de algumas escolhas, mas que acabam sendo apenas metáforas e metonímias desse objeto mítico, primeiro e completante.
 
    O nascimento do sujeito, qualificado como um ser desejante e não somente desejado coincide com o declínio do complexo de Édipo que ocorre devido à ameaça da castração. Deve haver, portanto, um luto em relação ao falo, por uma exigência narcísica. Em função disso o Édipo propicia que haja uma passagem do sujeito do circuito da demanda para o do desejo. Isso por que a criança precisa fazer o luto de ser o falo imaginário para entrar na luta do ter, do desejar buscá-lo em algum lugar. Esse lugar, nos diz Lacan no Seminário VI, é alcançado através das identificações ou da substituição (metáfora/metonímia) do objeto de amor.
 
O DESEJO E O FANTASMA
 
    Mas afinal, o que é o DESEJO? Apesar de Lacan iniciar esse Seminário indagando-se sobre isso o conclui deixando essa interrogação em suspenso, apesar de delinear algumas pistas. Ancora-se além de Freud, que não esclarece exatamente o que seja o desejo apesar de colocá-lo como central na constituição e dinâmica do sujeito, na filosofia, na terminologia do termo. Cita Aristóteles, para quem os desejos se apresentam como algo que foge do controle dos homens, podendo chegar à bestialidade. Em Espinosa, o desejo é a própria essência do homem.
 
    De acordo com o Dicionário de Filosofia, Lalande, o desejo seria uma tendência consciente e espontânea para um fim conhecido ou imaginado e opõe-se à vontade. L. concorda que o desejo repousa numa tendência, embora mais complexa, mas o coloca como de ordem eminentemente inconsciente. A “vontade”, em Lalande, seria a coordenação no mínimo momentânea das tendências; a oposição do sujeito e do objeto; a consciência de sua própria eficácia; e analisa os meios pelos quais se realizará o fim desejado.
 
    Para a psicanálise, a vontade ou o querer diferencia-se do desejo por ser de ordem consciente e manifestar-se na demanda que é regida pelas leis da linguagem. O desejo não é a demanda. O que caracteriza o desejo é que há algo que não pode ser demandado. Ele se esboça no que resta de insatisfação entre a demanda e a necessidade. Como o desejo é de ordem inconsciente ele está enredado por uma lógica diferente da lógica da consciência, ou do discurso racional. Inclui todas as espécies de condensações e deslocamentos, tal qual a metáfora e metonímia, embora destituído de sentido na sua essência.  Imiscui-se em todas as produções linguageiras, nos sonhos, nas demandas, fantasmas, sintomas e atos sempre de uma forma velada. A passagem pelo simbólico, isto é, pela palavra, é uma forma de minimamente, sempre através de metáforas e metonímias, dar algum sentido, alguma forma ou corporificação ao desejo, embora jamais seja possível traduzi-lo plenamente. Em função disso remetendo-me ao título desse Seminário nomeado por Miller como O Desejo e sua Interpretação, parafraseio alguns leitores de Lacan de que na verdade O DESEJO É SUA INTERPRETAÇÃO. “Interpretação” no sentido de tentativas de deciframento, uma vez que o desejo não se mostra claramente. “Interpretação” também relativo à representação ou figuração de papéis e falas que fazem parte de um roteiro desconhecido pelo sujeito mas que se impõe, fruto de seus desejos inconscientes sempre relativos à morte e à sexualidade.
 
    Em ambas as acepções o fantasma é o responsável pela tessitura da trama e do drama. Trama que traz consigo a possibilidade do engano e da dúvida e drama como um roteiro eminentemente trágico tal qual o gênero das tragédias no sentido grego, onde os personagens dramatizam a tragicidade de seus destinos que geralmente os levam ao horror, à morte e ao insolúvel que é o sentido da existência humana. 
 
   Mas, enfim, o que é o fantasma? Será sinônimo de fantasia? De acordo com o Dicionário de Psicanálise de Laplanche e Pontalis, Freud utilizou o termo em alemão “Phantasie” para designar o mundo imaginário e a atividade criativa que o anima. Fantasia consiste em cenas imaginárias onde o desejo se realiza de forma mais ou menos disfarçada. Tanto pode ser de ordem, consciente, inconsciente ou pré-consciente. O termo Frances “fantasme” (fantasma) indica determinada formação imaginária e não o mundo das fantasias, a atividade imaginativa em geral.
 
    O fantasma ou fantasia faz parte da realidade psíquica do sujeito e não da realidade compartilhada. Por isso para a psicanálise não vem ao caso os fatos reais que aconteceram ou que o sujeito experienciou, mas sim a forma como ele os vivenciou e essa, é sempre intermediada pelo fantasma. Existe uma lógica na vida fantasmática do sujeito que faz com que quando se relaciona sexualmente, por exemplo, ali não se trate de apenas dois corpos, mas de dois fantasmas que se encontram, materializados pelos corpos. Talvez essa seja uma das diferenças entre o erotismo e a pornografia. A forma como o sujeito coloca-se diante dos acontecimentos de sua vida é modelada pela sua fantasmática, como se fosse um roteiro prévio que está por trás das repetições ou das diversas cenas.
 
    O fantasma tem uma relação estreita com o desejo. Lacan salienta que o fantasma é o suporte do desejo. É possível ler “suporte” como algo que contem, comporta o desejo e também “suporte” no sentido do verbo suportar. O fantasma nesse caso suporta, sustenta, tolera o desejo, uma vez que sua realização plena que seria desejar o desejo do Outro é algo da ordem do insuportável, no sentido de que necessariamente levaria à morte do sujeito. Sendo assim, o mundo fantasmático dramatiza a realização do desejo, como uma forma defensiva protegendo também o sujeito da castração, que seria a condição humana da falta, de existir sem nunca conseguir realizar-se ou satisfazer-se plenamente.
 
    Chemama, no Dicionário de Psicanálise (p.145) coloca que “O fantasma não é apenas o efeito do desejo arcaico de repetir a primeira experiência mítica de satisfação, mas é também a matriz dos desejos atuais. Os fantasmas arcaicos inconscientes de um sujeito procuram, de fato, uma realização pelo menos parcial, em sua vida concreta. Desse modo, eles transformam as percepções e as lembranças, estão na origem dos sonhos, dos lapsos e dos atos falhos, induzem as atividades masturbatórias, exprimem-se nos devaneios diurnos, procuram se atualizar, de forma disfarçada, por meio das escolhas profissionais, relacionais, sexuais e afetivas do sujeito”. 
 
    Lacan propõe nesse Seminário a fórmula do fantasma: $ frente o objeto a. Isso significa que a realidade desejante inclui necessariamente a relação do sujeito barrado com o objeto. $ barrado no sentido que é marcado pela linguagem, o que redunda numa divisão do sujeito, que habita a dimensão desconhecida e inconsciente de si mesmo. Barrado também na medida em que o sujeito está privado de algo importante ou fundamental para sua própria vida (falo). É necessário estar nessa condição para que algum objeto possa tornar-se objeto de desejo.
 
     Mais precisamente, não há objeto do desejo mas objeto do fantasma sobre o desejo. O desejo não visa um objeto da necessidade mas aquele que tem relação com o sujeito do fantasma. Por isso o objeto nunca tem nada de real, sendo a projeção de uma parte desconhecida do sujeito, o que explica a assertiva de que as escolhas objetais revelam o que o sujeito não consegue perceber sobre si mesmo. Isso justifica o fato de que as relações amorosas não ocorrem entre duas pessoas, mas sim, entre dois fantasmas que permanecem juntos enquanto se complementam. Segundo Lacan, a função do objeto a, que é objeto unicamente por fazer parte do fantasma do sujeito, é tomar o lugar daquilo que o sujeito é privado simbolicamente: o falo. Portanto, o objeto do fantasma é efeito da castração.
 
 
O DESEJO NA CLÍNICA PSICANALÍTICA
 
    Che vuoi? O que queres? É a pergunta presente, emitida ou não pelo psicanalista, quando alguém procura análise. É posta também pelo analisante, mesmo que não a profira, ao indagar: o que queres que eu diga ou por onde eu começo a falar, ou como é que funciona esse processo? Em suma, o sujeito coloca no Outro a pergunta “Che vuoi”? e só pode respondê-la (ou chegar ao último termo) ancorado na cadeia inconsciente ou explorando-a, através da cadeia de significantes, diz Lacan nos Escritos.
 
    O que o analisante demanda ao procurar análise? Geralmente busca satisfação, bem estar, alívio para seu sofrimento. Salienta Lacan na Direção do Tratamento e Princípios do seu Poder que se há uma resposta do analista nesse nível ele reduz seus desejos às necessidades. Pode-se ler aqui, penso eu, a redução dos desejos às necessidades, tanto por parte do analista quanto do analisante, o que significaria considerar que haveria uma resposta passível de aplacar e corresponder ao que o analisante supostamente espera. Nesse caso, ambos estariam presos na demanda. Que isto ocorra por parte do analisante é algo esperado, uma vez que estar preso no círculo infernal da demanda, como dissemos inúmeras vezes nos estudos desse ano, é uma das questões primordiais de quem procura ajuda. É o mesmo que dizer que o sujeito está preso ao desejo do outro, em agradar o outro com o decorrente apagamento de si mesmo ou do seu próprio desejo.
 
    É muito tentador para o analista responder à demanda do analisante, assim como o é para uma mãe que vê seu filho chorar por que ela não lhe dá o que quer. No entanto, nenhuma palavra proferida pelo analista será suficiente para aplacar o que o analisante realmente espera, por que tampouco ele próprio sabe o que é. O que ele pede, são mais do que palavras, não implica nenhum objeto. Em função disso é que o analista não responde, frustrando-o, o que desencadeia mais demanda ainda, de tal forma que o desejo que está para além ou aquém da demanda se presentifique através da cadeia de significantes que ali pode emergir. 
   
    Mais especificamente, Lacan coloca que “Assim, o analista é aquele que sustenta a demanda, não, como se costuma dizer, para frustrar o sujeito, mas para que reapareçam os significantes em que sua frustração está retida.” (Escritos, 624) Mas pergunto em que consiste o analista sustentar a demanda? Seria acolhê-la, sem corresponder, de tal forma que ela não se dissipe? 
    
    O desejo do analisante aparece de uma forma articulada através das palavras ou dos atos, do fantasma e nunca de uma maneira pura, bruta. Imiscui-se nas buscas do sujeito, levando-o a movimentar-se através das escolhas, ao mesmo tempo em que se distancia dos votos originais, diz Lacan. Mas a errância das buscas não é uma forma disfarçada de revelação do desejo? O que faz a diferença entre um sujeito que não consegue centrar-se em nada na sua vida e outro que segue ou consegue eleger determinados caminhos nos quais ele encontra prazer? Possivelmente no primeiro caso, a errância seria por que ele está preso na demanda do Outro, onde o desejo está preso no desejo do Outro. No segundo caso, há que ter passado pela castração, pela articulação e reconhecimento da falta para que possa ir em busca de objetos metafóricos e metonímicos que tem alguma vinculação com o desejo singular desse sujeito. Não há como o sujeito não desejar, mas há uma diferença entre desejar somente o desejo do Outro e ser sujeito do próprio desejo. Como disse o psicanalista José Luiz Caon, num dos fóruns virtuais, “não há possibilidade de não cumprir a lei da gravidade: pouco importa que se fique de pé, deitado, agachado ou plantando bananeira. Mas, o modo como cumprir a lei da gravidade depende da gente. Assim também, não há como não ser sujeito assujeitado para sempre do desejo. O problema é escolher o modo como ficar sujeito a essa imperativa e inquebrantável lei.”
BIBLIOGRAFIA:
 
CHEMAMA, R. & VANDERMERSCH, B Dicionário de Psicanálise, São Leopoldo – RS, Editora Unisinos, 2007.
FINK, B. O Sujeito Lacaniano: entre a linguagem e o gozo, Rio de Janeiro, 1998.
HARARI, R. As Dissipações do Inconsciente, Porto Alegre, CMC Ed., 2003.
LACAN, J. Seminário VI – O Desejo e sua Interpretação, Porto Alegre: Publicação não comercial, circulação interna da Associação Psicanalítica de Porto Alegre, 2002. 
LACAN, J. A Direção do Tratamento e os Princípios de Seu Poder, in: Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998: A subversão do sujeito e a dialética do desejo, 
LACAN, J. A Subversão do Sujeito e a Dialética do Desejo, in: Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998.
LAPLANCHE E PONTALIS, Vocabulário da Psicanálise, 7ª. Ed., São Paulo, Martins Fontes Ed., 1983.
LEITE, M.P.de S. O Deus Odioso. O Diabo Amoroso - Psicanálise e representação do mal, Jacques Cazotte, São Paulo, Ed. Escuta, 1991. 
NASIO, J. -D. Cinco Lições sobre a Teoria de Jacques Lacan, Rio de Janeiro,  Zahar Ed., 1993. 
ROUDINESCO E PLON, Dicionário de Psicanálise, Rio de Janeiro: Zahar Ed., 1998. 
 

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